Memória Musical – Luta contra o regime militar

Trilha sonora

A trilha sonora que brindou os convidados da cerimônia de apresentação do projeto sobre acesso a informações, realizada ontem no Itamaraty, foi a mesma que embalou a luta contra o regime militar. Antes da chegada do presidente Lula, os presentes ouviram, entre outros, O bêbado e a equilibrista, música de João Bosco e Aldir Blanc consagrada na voz de Elis Regina, e Para não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. Apesar de Você e Cálice, de Chico Buarque, também foram entoadas.

Elis Regina – O bêbado e a equilibrista

Geraldo Vandré – Pra não dizer que não falei de flores

Chico Buarque – Cálice

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Publicado em 14 de maio de 2009, em Arquivos da Ditadura, Memória Musical, Memórias Reveladas e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. A hipocrisia da esquerda
    RODRIGO CONSTANTINO

    O presidente Hugo Chávez afirmou que “sabia de tudo” sobre a volta do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país, e ainda disse ter ajudado a “despistar” as autoridades sobre o seu paradeiro. O governo brasileiro nega ter participado da operação de retorno de Zelaya, mas parece extrema ingenuidade crer que ele simplesmente se “materializou” na embaixada brasileira, junto com dezenas de pessoas. Sem falar que Zelaya esteve no Brasil conversando com o presidente Lula pouco antes. Além disso, a embaixada não ofereceu asilo, e sim abrigo, tornando-se um palco para os discursos políticos de Zelaya. Fica claro que o governo brasileiro adotou uma postura ativa em relação aos acontecimentos internos de Honduras.
    Tudo isso já seria bastante absurdo do ponto de vista da diplomacia entre nações. Mas aqui eu gostaria de focar no aspecto da incoerência dos discursos e atos dos líderes de esquerda da América Latina. Afinal, são esses mesmos presidentes – Chávez e Lula – que costumam acusar o governo americano, não sem razão, de atos imperialistas quando este se mete indevidamente em assuntos locais dos países latino-americanos. Por que quando o governo americano interfere nos assuntos de outros países é “imperialismo”, mas quando o governo venezuelano faz o mesmo trata-se de uma “luta pela democracia”?
    O uso de dois pesos e duas medidas também costuma ser chamado de hipocrisia. É quando alguém utiliza critérios diferenciados para julgar, na tentativa de sempre condenar o que não gosta e proteger seus aliados ou interesses. Por exemplo, quando aquele que abraça uma cruzada pela democracia é o mesmo que defende o regime cubano, a mais duradoura ditadura do continente. Ou quando aquele que culpa o embargo americano a Cuba por sua miséria é o mesmo que condena a globalização e chama o comércio com os americanos de “exploração”. Ou ainda aquele que fala em “solução pacífica” enquanto incentiva atos de vandalismo como mecanismo de pressão.
    Tanta incoerência, tanta contradição, possui apenas uma explicação possível. Esses governantes esquerdistas não estão preocupados com princípios ou com a coerência, mas sim com a única coisa que eles almejam de verdade: o poder. Para este fim, eles estão dispostos a aceitar quaisquer meios. A hipocrisia é apenas mais um desses métodos utilizados para a conquista plena do poder.
    Ao menos as verdadeiras virtudes ainda são reconhecidas, pois, como disse La Rochefoucauld, “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Isto é, quando Chávez apela para uma retórica em defesa da “democracia”, é porque ele sabe que o povo a valoriza. Não o que ele chama de democracia, a sua “revolução bolivariana”, que não passa de uma ditadura velada que ele tenta exportar para toda a região com seus petrodólares. Mas sim aquela democracia republicana que respeita os direitos das minorias, a propriedade privada, as liberdades individuais e de imprensa. Ou seja, justamente a democracia que anda faltando na região, cada vez mais vítima de caudilhos autoritários que pretendem governar para sempre um povo de súditos.
    Chegou a hora de dar um basta a esta hipocrisia. Um povo que pretende ser livre precisa defender princípios, não seus “camaradas” como se fossem membros de uma máfia. A fidelidade deve ser aos valores comuns, não aos aliados, por interesses escusos. Todo tipo de imperialismo deve ser condenado, independentemente de quem é o imperialista. Caso contrário, trata-se de pura hipocrisia.
    RODRIGO CONSTANTINO é economista.

  2. Artigos

    Honduras contra a mentira global

    Olavo de Carvalho | 28 Setembro 2009
    Internacional – América Latina

    Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hondurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a “ordem global”, que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer “Não”.

    Se algo os acontecimentos recentes em Honduras confirmam, é aquilo que venho dizendo há anos: quem quer que, sem ser esquerdista, preste algum favorzinho aos esquerdistas, acaba sendo acusado por eles de fazer exatamente o contrário do que fez, de ser um direitista feroz e intolerante que só os persegue, maltrata e atemoriza.

    Em 28 de junho, a Suprema Corte de Honduras determinou a prisão do presidente Manuel Zelaya por ter infringido a Constituição e ameaçado usar a força contra o poder legislativo. Os militares, em vez de executar a ordem, deixaram-se enternecer pelo desgraçado e permitiram que escapasse para a Costa Rica. Resultado: a esquerda mundial inteira os acusa de ter “expulsado” Zelaya, de ter dado um “golpe”, de ter “rompido a estabilidade das instituições”.

    Se tivessem prendido o delinquente e o levado a julgamento, a esquerda mundial poderia estar tão enfezada quanto está agora, mas não teria nenhum pretexto para dizer essas coisas. Teria de inventar outras mentiras, mais trabalhosas, menos persuasivas.

    Não sei quantas décadas ou séculos de experiência e de sofrimento inútil a humanidade ainda precisará para compreender que indivíduos contaminados pela mentalidade revolucionária não são pessoas normais, confiáveis, das quais se possa esperar lealdade, gratidão, bondade ou acordo racional, mesmo em doses mínimas.

    A história está repleta de casos de conservadores, católicos, protestantes, judeus, que arriscaram suas vidas para salvar comunistas perseguidos. Não consta dos anais do mundo um só episódio de comunista de carteirinha que tenha feito o mesmo por um reacionário, um só exemplo de radical islâmico que tenha arriscado o pescoço para livrar um infiel das garras dos aiatolás vingadores.

    A mentalidade revolucionária não admite leis ou valores acima do poder revolucionário, não conhece caridade ou humanitarismo exceto como expedientes publicitários a serviço da revolução, não admite lealdade senão ao aparato revolucionário, não aceita a existência da verdade senão como simulacro de credibilidade da mentira revolucionária.

    Com toda a evidência, é assim que funciona a mente dos srs. Luís Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Marco Aurélio Garcia e demais próceres do Foro de São Paulo.

    O sr. Lula acaba de dar mais um exemplo da sua mendacidade revolucionária infatigável, ao afirmar que o governo brasileiro nada sabia do retorno de Manuel Zelaya a Honduras, quando o próprio Zelaya confessa que foi tudo combinado com o sr. Marco Aurélio Garcia.

    Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hondurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a “ordem global”, que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer “Não”.

    Não acreditem em jornalistas que lhes apresentam a crise hondurenha como uma questão de aceitar ou rejeitar Zelaya na presidência. Esse problema nem sequer existe. Como presidente ou como cidadão, há uma ordem de prisão contra ele. Recolocá-lo no Palácio Presidencial é apenas garantir que ele irá para a cadeia com honras de chefe de Estado. Honduras não está lutando para se livrar de um político safado, mas para assegurar que a ordem legal e constitucional do país valha mais do que a opinião de bandidos e tagarelas estrangeiros autonomeados “consenso internacional”.

    Para lidar com essa gente toda precaução é pouca, toda suspeita é modesta, toda conjeturação de motivos sórdidos corre o risco de ficar muito aquém da realidade. Os hondurenhos parecem ser o primeiro povo do mundo que percebeu isso.

    Diário do Comércio, 28 de setembro de 2009.

  3. Uma saída pelo amor de…!

    Ternuma Regional Brasília

    Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira

    Hoje, não temos candidato ao cargo de futuro Presidente da República. É desanimador. A esquerda abafou, cooptou ou desmoralizou todos os possíveis oponentes.

    Os que se apresentaram ou “foram apresentados” constituem a porção mais infecta da esquerda nacional. Serra, Dilma, Marina ou Ciro, as opções são dignas de um voto nulo. Embora, saibamos que anular voto beneficia ao infrator. Mas, que dá vontade, dá.

    Analisando–se o passado, o presente, a atuação e as ligações dos candidatos, enfrentamos o crucial dilema de escolher qual deles será o menos nefasto para o futuro da Nação.

    As últimas pesquisas sinalizam que a “simpática” Ministra Dilma precisará mais do que o aval de seu padrinho para arrebatar o prêmio, situação que piorou com o despontar da candidata Marina Silva.

    Além disso, a Sinistra Dilma, acumula no seu currículo (no falso ou no verdadeiro?), o de guerrilheira torturada até às vascas da morte (o que lhe engrandece, sobremodo), e outros itens menos nobres (mentir, disfarçar, vociferar, etc.), além de não ser do PT, e foi enfiada goela abaixo de um considerável número de petistas pelo magnânimo.

    A Senadora Marina Silva tem apelo para subtrair votos de Dilma, e um pouco menos, mas causando mossas, nas intenções de votos do “alma penada” Governador Serra. Não será eleita. Num 2º turno cerrará com a Dilma.

    O sorumbático Serra sempre figura ponteando as pesquisas, sinalização mais fruto de sua exposição como Ministro da Saúde, do que como uma festejada figura política. Sua passiva conduta não indica que tenha autonomia para desvencilhar – se de sua subserviência aos ditames do Gramscismo petista.

    O desgoverno tem enfraquecido o seu prestígio em São Paulo (greves, tumultos, etc.). O Governador em campanha, como antigo acólito de FHC, terá seu telhado de vidro sujeito às chuvas e trovoadas, e seus índices, fatalmente, desabarão.

    Quanto ao Deputado Federal Ciro Gomes, este é um oportunista. Duvidamos do seu cacife para atingir a Presidência. Num 2º turno, deverá vender caro a sua adesão para um dos dois preferidos. Reconhecido desafeto de Serra, venderá a peso de ouro seu apoio para a Dilma.

    Decorrente desta simplória ilação, concluímos que uma quinta opção teria excelentes condições de germinar e de frutificar.

    Alguns advogam a apresentação de outros candidatos com melhor perfil, inclusive a do General Heleno. Concordamos. Porém, se admiramos aquele militar, se conhecemos suas posições, honestidade, caráter e tantas outras qualidades que o habilitam ao cargo, não podemos esquecer que o próprio tem rechaçado as propostas naquele sentido, ficando patente, ainda, que a maioria da massa votante nunca ouviu falar dele, pois não lê, não se interessa e usa jornal apenas para forrar armário ou fazer embrulho, quando não o usa para higiene pessoal, após utilizar o vaso sanitário. Por conseguinte, falta capilaridade, divulgação, espaço e, principalmente, recursos para a empreitada. Portanto…

    Apolíticos, não temos qualquer ligação ou procuração de nenhum possível candidato. Todavia, percebemos como hipótese altamente exeqüível a postulação de uma candidatura, de um personagem de direita, bem conceituado, com destacada atuação na administração pública, com um passado político ilibado, e uma boa imagem perante a opinião pública.

    Uma candidatura deste porte, do Sergipe, do Amapá, de Minas Gerais, ou de qualquer outra origem, preencheria o paupérrimo cenário de candidaturas ocas e prenhes de falsas expectativas, inócuos debates, e eivadas de conceitos populistas. Tal alternativa estaria ocupando, no imaginário popular, uma saída, além de promover um novo alento para o futuro democrático nacional.

    Não vamos alinhar as qualidades e as virtudes de um eventual candidato; por outro lado, seus oponentes poderão acusá – lo de outro tanto de defeitos e más – qualificações, não importa, o que interessa é o medrar no terreno árido, adverso e coberto de ervas daninhas, de uma saudável opção, do contrário estaremos num beco sem saída.

    Aquela almejada candidatura, denunciatória dos descalabros reinantes, seria um sopro de dignidade e o pesadelo da esquerda, que desvairada, poderia ser derrotada no 1º turno. Na hipótese, provável de um 2º turno, a esquerdalha se uniria.

    Neste caso, quem sabe, o Ciro, não apoiaria o potencial candidato da direita?

    Brasília, DF, 27 de setembro de 2009

  4. DA PARA SAIR DESSA, LULA?

    O rumoroso affair que o kamarada Zelaya “aprontou” para Lula, está dando o que falar. Desta vez, Lula vai ter que usar todo o seu encanto de “enfant gaté”, para explicar a inusitada ocupação da Embaixada Brasileira em Honduras.
    A cinematográfica ocupação do prédio da Embaixada pelo bufão ex presidente de Honduras, reclama uma explicação no mínimo plausível. O que tem sido dito até aqui, de que Zelaya precisou apenas bater palmas no portão para ser recebido, é menosprezar a inteligência dos brasileiros.
    Um pedacinho de terra ocupado por um imóvel que representa um país, não tem significado nenhum politicamente? Até aqui, entendia como “solo nacional” do país representado, os prédios que acolhem as embaixadas estrangeiras. Em Honduras será diferente?
    Pela tranqüilidade com que Zelaya “pretensamente” asilou-se, dá para pré supor a certeza da acolhida. Se fosse só ele, ainda dava para tentar explicar como audácia do fanfarrão ex presidente. Mas, com a família e seguido de quase uma centena de “amigos”, fica difícil para as autoridades responsáveis , usar a desculpa dos TRÊS MACACOS. Um, NÃO viu, o outro NÃO ouviu e o terceiro É mudo.
    Tomando, a situação acima, como ponto de partida para explicar a situação de Lula na pantomima, qual é a posição dele? NÃO viu? Pode ser, NÃO estava presente. NÃO ouviu? A distância ainda justifica. E se NÃO podia falar, NÃO deveria ter assumido a responsabilidade de ser o chefe do território invadido? Como fica sua credencial de CHEFE do território invadido?
    Mas, vamos ser bonzinhos e aceitar a desculpa, embora esfarrapada. Porém, como justificar o DEPOIS da embaixada invadida e literalmente OCUPADA? Será que seus kumpanheros de “convescote”, na mesma situação, NÃO IRIAM ASSUMIR A CONDIÇÃO DE PRESIDENTE?
    Não seria o caso de Lula voltar ao país, assumir a direção no resgate da embaixada? Sua discutível posição de liderança no G-20, não ficaria mais consolidada se desse demonstrações inequívocas que merece esse APELIDO?
    AQUI, no BRASIL, para os brasileiros de BEM, que NÃO sobrevivem de MENSALÕES, CARTÕES CORPORATIVOS ou BENESSES PARLAMENTARES, a atitude é, no mínimo, dúbia.
    A pergunta que abre o comentário NÃO é uma esperança. È antes, a certeza de que o presidente NÃO foi surpreendido, e a expectativa de qual desculpa vai ser usada. E para fechar, usando o lema do Grupo Guararapes ESTAMOS VIVOS, MAS NÃO SATISFEITOS.

    Glacy cassou Domingues – Grupo Guararapes.
    Fort. 23/o9/2009.

  5. O SILÊNCIO DOS BONS

    Ternuma Regional Brasília

    Genaral de Exército A. L. M. de Paiva Chaves

    CRÕNICA 18 (19 Set 2009)

    “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

    A frase lapidar é de Martin Luther King, prêmio Nobel da paz, paladino da luta pelos direitos civis dos negros nos EUA, assassinado em 1968 por suas idéias.

    Em nosso país, há sinais fecundos de que os bons começam a ficar preocupados com seu próprio silêncio.

    A campanha “Ficha Limpa” coletou mais de um milhão e trezentas mil assinaturas de eleitores, necessárias para enviar ao Congresso projeto de lei de iniciativa popular, que veda candidaturas de condenados em primeira instância, Conseguir a promulgação não será fácil. Contraria interesses de muitos parlamentares que respondem a processos. Talvez por isso, a reforma eleitoral foi aprovada em sessão relâmpago da Câmara. Nem mesmo se concedeu tempo para leitura das emendas oriundas do Senado. Todas descartadas, com exceção da utilização da internet, aprovada com pequenas alterações. A exigüidade do prazo para validar a iniciativa popular na próxima eleição – até 2 de outubro -é outro sério complicador. O texto votado já está pronto para sanção presidencial. Só uma grita ensurdecedora dos bons poderá reverter o quadro.

    Os bons também precisam quebrar o silêncio para opinar sobre a autorização para reabertura de bingos e máquinas caça-níqueis, que está a caminho na Câmara. Os que a defendem acenam com significativa coleta de impostos e oferta de milhares de postos de trabalho, embora seja patente seu interesse por polpudas contribuições para a campanha eleitoral. Os que criticam enxergam mais um largo canal para o vício do jogo, crimes financeiros e corrupção.

    Outra preocupação é a milionária compra de aviões para nossa Força Aérea.
    Amortecidos, em parte, os efeitos de inoportunas declarações do Presidente e de seu Ministro da Defesa, está o Congresso motivado para conhecer as propostas dos três competidores. Convocará audiência pública. Ouvirá fornecedores, técnicos e quem mais tenha conhecimento de causa para apresentar argumentos esclarecedores. No âmbito desse instrumento democrático, não será condenado ao silêncio quem for reconhecidamente habilitado. A contribuição de todos os que forem ouvidos propiciará elementos para a decisão mais adequada ao vultoso investimento, às nossas necessidades de defesa e à absorção de tecnologia para a nacionalização de manutenção e de produção.

    A conclusão, talvez esperançosamente otimista, é que a cidadania dos bons está começando a despertar de um sono letárgico de desinteresse e procura, aos poucos, fazer ouvir sua voz. É crucial que seu volume aumente, quando caminhamos para a encruzilhada do ano eleitoral, com milhares de candidatos que precisam ser conhecidos. Quem os conhece tem o dever de esclarecer, a fim de que a todos seja dada a possibilidade de votar conscientemente. A amplitude de espaço a ser concedido à internet oxigenará a campanha e romperá véus que antes ocultavam chagas e podridões.

    Que assim seja. Não apenas uma esperança, mas uma realidade do porvir.

  6. al Brasília

    Gen. Bda Refo Valmir Fonseca Azevedo Pereira

    Em 1944, a Rússia invadiu a Hungria, expulsou os nazistas e passou a ocupar o País. A transformação da Hungria num satélite soviético ocorreu gradualmente, e o poder, a partir de 1946, passou a ser exercido, de fato, por ocupantes soviéticos.

    O País fora, graciosamente, liberto do nazismo pelo Exército Vermelho e, assim, abençoado com o regime comunista.

    Localizado no coração da Europa Central era mais aberto à Europa Ocidental do que os outros países do Bloco Comunista e, por isso, respirava, continuamente, os “ventos da democracia”.

    Em outubro de 1956, uma rebelião popular apoiada pelo Exército reconduziu o moderado Imre Nagy, que fora destituído pelos comunistas, ao poder. O novo governo, em coalizão com forças não–comunistas, proclamou a neutralidade da Hungria, extinguiu a censura, abriu suas fronteiras e retirou o País do Pacto de Varsóvia.

    Em 04 de novembro, as tropas soviéticas invadiram a Hungria e esmagaram o novo regime, matando, aproximadamente, 25 mil pessoas.

    János Kadar, títere soviético, tornou–se o Premiê.

    As democráticas nações ocidentais deliberaram, protestaram, ameaçaram, mas nada fizeram.

    Em 2009, a República de Honduras, apesar de cercada por nações neo-esquerdistas, e sentindo os fortes “ventos do comunismo” que sopram na região, creditava-se capaz de impedir que a praga do marxismo-bolivariano, que assola as plagas da América latina fosse instalada em seu País. Seu Exército, cumprindo preceitos constitucionais e sanções determinadas pelos demais Poderes Legais, prenderam e deportaram o trêfego Zelaya.

    Democrática, legal e corajosamente, os poderes constitucionais do País tiveram a petulância de anular e expurgar um insidioso inimigo, que se apresentava como um futuro ditador, acobertado pelo manto do nefando regime comuno-populista que assola a região, devida e, acintosamente, apoiado pelos demais governos de mesmo viés.

    Lamentavelmente, além de atrair a indignação de “gregos e troianos”, as autoridades hondurenhas agregaram entre seus desafetos um inimigo formidável, o desgoverno petista brasileiro, cujas armas, manhas e artimanhas bem conhecemos e sentimos.

    As democráticas nações não deliberaram, não protestaram, não ameaçaram e, como esperado, nada fizeram.

    Honduras, cercada, perseguida e vilipendiada tem enviado desesperados pedidos de apoio para outras Galáxias. Tudo em vão. Nenhum planeta respondeu.

    Quanto ao desgoverno brasileiro, futuro (?) Membro Permanente do Conselho de Segurança da ONU, empenha–se na invasão de Honduras, pelo emprego imediato das tropas da UNASUL, reforçadas com experientes membros do MST, e com o apoio estratégico-logístico da Força Nacional de Segurança.

    Pobre Honduras.

    Brasília, DF, 23 de setembro de 2009

  7. RECORDANDO A HISTÓRIA

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    O ASSASSINATO DO PROFESSOR

    FRANCISCO JACQUES MOREIRA DE ALVARENGA

    Em 1973, as organizações comunistas que participavam da luta armada estavam iniciando o caminho do fim. A ação enérgica dos órgãos de segurança intimidava e restringia os movimentos dos seus militantes. Muitos foram presos. Muitos morreram no momento da prisão. A maioria, entretanto, fugiu para o exterior.

    Tudo isso e mais a frustração pela luta armada não haver mobilizado a população como pretendiam tornaram moribundas as poucas organizações que ainda atuavam e seus dirigentes debatiam-se entre a ânsia de fugir e a ainda, mas pouca, vontade de atuar. De qualquer modo, viviam escondidos nos aparelhos e realizavam poucas ações armadas, restritas àquelas destinadas a colher fundos para sustentar seus militantes.

    Uma dessas organizações era a Ação Libertadora Nacional (ALN), oriunda das idéias de Marighella e que, pregando “a ação pela ação”, tornara-se uma das mais violentas.

    A outra era a Resistência Armada Nacionalista (RAN), uma organização que, com o nome inicial de Grupo Independência ou Morte (GIM), surgira dos escombros do antigo Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), de Brizola. Uma estranha organização carioca, que ousava usar termos do tipo “nacionalista”, que fugia aos clássicos padrões do marxismo-leninismo e cujas siglas, sucessivamente, foram as curiosas “GIM” e “RAN”.

    A ALN era a “grande” organização, a qual, entretanto, já havia perdido seus dois maiores líderes, Marighella e Toledo. A RAN era uma diminuta organização, que ainda tinha o seu líder, o pequenino e serelepe Amadeu de Almeida Rocha (“Augusto”, “Valter”), que se orgulhava de ter sido preso na Guerrilha de Caparó e que gostava de ser chamado de “Comandante Amadeu”.

    O que as unia, entretanto, era a vontade de fazer a revolução e a opção pela luta armada. Enquanto que, em 1973, a ALN já se debatia pelas contínuas “quedas” de seus líderes, a RAN, intacta e incólume, decidia iniciar, naquele começo de ano, suas ações armadas.

    Em nossa história, havia dois amigos:

    – um era Merival de Araújo (“Zé”), militante da ALN, participante de diversas ações armadas, dentre as quais o assassinato do delegado Octávio Gonçalves Moreira Júnior (“Otavinho”), em Copacabana, em 25 de fevereiro de 1973;

    – o outro era Francisco Jacques Moreira de Alvarenga (“Bento”), militante da RAN e mais conhecido como professor Jacques.

    A amizade entre ambos havia começado quando Jacques era o professor de Merival. Naquela época, eles constituiam-se na ligação entre a ALN e a RAN.

    A nossa história começa na manhã de 22 de fevereiro de 1973, quando a RAN, sem armamento suficiente para desencadear as ações violentas, decidiu roubar as armas da 16ª Inspetoria da então existente Guarda Noturna, localizada na Rua Uruguai, 380, Loja 50, na Tijuca, Rio de Janeiro.

    Quatro militantes lotaram um carro para o assalto: José Sergio Vaz (“Luiz”, “Marcelo”) – comandante da ação – Hermes Machado Neto (“Antonio”, “Julio”), Jefferson Santos do Nascimento (“Santos”) e José Flavio Ramalho Ortigão (“João”) que, por ser o motorista do “Comandante Amadeu” – e da ação – passou a ser conhecido como “Fittipaldi”.

    A indigência da RAN criava simbolismos: a única pistola .45 existente ficava com o comandante da ação. Durante a incursão, Jefferson disparou acidentalmente a sua arma, provocando uma fuga precipitada. Foram roubados apenas dezenove revólveres.

    Durante a retirada, uma cena cômica: os assaltantes, de carro, foram perseguidos algum tempo por um guarda-noturno de bicicleta. Naquela ocasião, Jefferson disparou novamente, tentando afugentar o perseguidor. Após a ação, Hermes Machado e Jefferson saltaram do carro no ponto final do ônibus 410, na Tijuca, enquanto que Ramalho Ortigão e José Sérgio Vaz seguiram até a parte dos fundos do Hospital Pedro Ernesto, onde entregaram uma pasta com as armas ao “Comandante Amadeu”. Em seguida o carro foi abandonado no Maracanã.

    O assalto à Guarda Noturna foi motivo de euforia na organização. Como crianças travessas, os “revolucionários” Amadeu Rocha e Júlio Ferreira Rosas Filho (“Teixeira”), um professor da Faculdade Estácio de Sá, ligavam para todos os conhecidos mandando que comprassem os jornais e identificassem o assalto como sendo de autoria da RAN. Amadeu chegou a preparar correspondência para os jornais, onde a organização assumia a responsabilidade da ação.

    Cinco dias depois, os mesmos quatro militantes, já devidamente armados e reforçados por Sandra Lazzarini (“Tania”, “Valeria”), médica residente do Hospital Pedro Ernesto, assaltaram a residência de um médico na Rua Senador Vergueiro, no Flamengo, de onde levaram dinheiro e ações ao portador.

    Foi a última ação armada da RAN. Seus militantes, cometendo diversos erros e não afeitos à clandestinidade, foram sendo presos um a um, até que, no dia 5 de abril, “caiu”, na agência Centro da Caixa Econômica Federal, o “Comandante Amadeu”. Amadeu, além do grande constrangimento causado à sua esposa, Alice, que, na prisão, ficou conhecendo Vera Lúcia, sua “noiva”, foi uma grande decepção para todos aqueles que o tinham como um líder. Da arrogância e da autoconfiança de “Valter” ou de “Augusto”, discípulo aplicado da escola de Leonel Brizola, o tutor de Caparaó, nada restou. Desprovido de coragem física e moral, Amadeu Rocha acovardou-se de forma tão humilhante, que se tornou fator de “desbundamento” de vários militantes da RAN que pretendiam manter o “papel digno do revolucionário na prisão”.

    O que restava da RAN, até o dia 5 de abril de 1973, foi destruído pela delação de Amadeu de Almeida Rocha. Mais tarde, já cumprindo pena, o “grande líder” da RAN denunciaria as “torturas” que teria sofrido, procurando justificar a tibieza de seu comportamento na prisão.

    Mas ainda menos sorte teve o professor Jacques. Antes de sua prisão, no início de maio, recebera de Julio Ferreira Rosas Filho um pacote, contendo algumas armas do lote roubado da Guarda Noturna, com a orientação de desfazer-se dele. O professor Jacques passou as armas para seu amigo da ALN, Merival Araújo.

    Durante os seus depoimentos na polícia, Jacques “abriu” um contato que teria com Merival, que, de forma previsível, em se tratando de terrorista da ALN, foi morto ao reagir à prisão.

    Isso foi muito duro para a ALN. Além de estar acuada e de ter perdido seus principais líderes, sofria uma nova grande perda, agora por culpa de um “professorzinho” de uma “organizaçãozinha” que tinha nome de um “bicho do brejo”.

    A liberação do professor, um mês depois de ter sido preso, açulou a ALN, que, naquele ano, já havia “justiçado” duas pessoas. Montado um tribunal revolucionário, o Professor Jacques foi condenado à morte.

    A militante Maria do Amparo Almeida Araújo, irmã do também militante da ALN Luiz Almeida Araújo, participou dos levantamentos dos hábitos do professor.

    Em 28 Jun 73, às 1115h, o companheiro de Maria do Amparo, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto (“Luiz”) – um dos mais violentos militantes da ALN e que também participara do assassinato do delegado Otavinho – chefiando mais dois militantes da ALN, nunca identificados, rendeu o porteiro do Colégio Veiga de Almeida da Rua São Francisco Xavier, na Tijuca. Invadiram a escola e foram encontrar o professor Jacques sentado numa sala de aula, redigindo uma prova para os vestibulandos do curso MCB. Quatro tiros de pistola .45 mataram o professor, menos de três semanas depois de ter sido solto. Um cadáver, muito sangue no chão e uma das paredes pichadas com a sigla “ALN”, foi o que encontraram os policiais ao chegarem no local.

    Para os terroristas, o “tribunal revolucionário” detinha o poder da vida e da morte e esse assassinato era um “justiçamento”. Na realidade, foi mais um crime dos comunistas brasileiros.

    F. Dumont

  8. Recordando a História

    Portal

    Reparando a Injustiça

    Justitia quae será tamen

    Tendo em vista a Sentença exarada pelo Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Teresópolis , Doutor Mauro Penna Macedo Guita , em processo judicial de autoria do CMG ( Refo ) Francisco Carlos Pereira Cascardo , motivado pela inclusão indevida do nome do Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo , já falecido , no artigo – RECORDANDO A HISTÓRIA – A INTENTONA DE 1935 , foi acordada entre as partes a divulgação da comunicação da comunicação abaixo.

    Visando o cumprimento da parte da sentença que manda “ … incluir, no referido site, a informação, de forma destacada e de fácil visualização … “de que Hercolino Cascardo foi julgado e absolvido criminalmente … com a transcrição do dispositivo da sentença na parte que o absolve … “ contrariamente à acusação constante do artigo acima citado publica-se o seguinte trecho do Accordão do Tribunal de Segurança Nacional datado de 7 de maio de 1937 :

    “ … resolve ainda o Tribunal, por unanimidade de votos absolver como absolve os accusados Hercolino Cascardo , Roberto Faller Sisson ,Carlos Amorety Osório ,Francisco Mangabeira ,Benjamin Soares Cabello e Manoel Campos da Paz da accusação de haverem commetido o crime do art. 1º da Lei nº 38 de 4 de abril de 1935, por não estar provado que os mesmos tivessem tentado mudar por meios violentos ,a forma de Governo, ou a Constituição da República …”

    O Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo , teve seu nome injustamente incluído pelo TERNUMA em “ … texto ofensivo … à sua memória …” ( expressões estas transcritas da sentença ) intitulado “ Recordando a História” , ” A Intentona Comunista “ . Equivocado , fundamentava-se o referido texto na acusação apresentada pelo Promotor do Tribunal de Segurança Nacional Honorato Himalaya Vergolino como incurso no art. 1º acima citado . Por motivo desconhecido foi omitido do referido artigo que o mesmo Tribunal de Segurança Nacional já absolvera por unanimidade de votos , como demonstrado no accordão acima citado .

    E em “ Recordando a História , A Intentona Comunista” , os nomes dos absolvidos e dos condenados permaneceram como um todo único , indicando para o leitor , que não houvera absolvição , tal estilo ambíguo do seu texto .

    A confiança absoluta na fonte recorrida levou o TERNUMA a manter em seu site, o nome do Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo e de outros inocentados pelo Tribunal de Segurança Nacional e a seguir pelo Superior Tribunal Militar, desde maio de 2005 até 19.01.2007, data esta em que foram retirados os nomes dos absolvidos e publicada parte da sentença absolvitória

    Neste período vários contatos foram mantidos com a direção de Ternuma inclusive com a entrega da Sentença do TSN , mas sem resultado satisfatório . Desta maneira baldadas as tentativas de entendimento restou , ùnicamente constituir-se advogado e entrar na Justiça na busca do restabelecimento da honra ofendida .

    Da sentença exarada pelo Exmo. Juiz Doutor Mauro Penna Macedo Guita transcrevem-se as seguintes considerações ao artigo em que indevidamente foi incluído o falecido Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo:

    a) – “ … texto ofensivo à memória …”
    b) – “ … indenização por dano moral, fá-lo por legitimidade ordinária , por ser ele filho de quem se sente injuriado ante a ofensa à honra de seu pai …”
    c) – “ vale lembrar que a calúnia , a injúria e difamação constituem ilícitos penais … “
    d) – “ a Lei reconhece o direito do esquecimento mesmo aos criminosos . .. “
    e) – “ … e que dizer de alguém que foi absolvido !
    f) – “ considero que o meio de comunicação internet torna o fato mais grave …
    g) “ … e que sirva de desestímulo á prática de ofensas de tal natureza … “
    h) – “ … e atende à finalidade punitiva pedagógica … “

    Com a divulgação desta comunicação há de se esperar que os dois maiores valores de um militar , a sua Honra e a sua Bravura estejam restabelecidas e que a sua Memória tenha como companheiras , a Verdade e a Justiça

    A Intentona Comunista de 1935

    No dia 27 de Novembro de 1935, ocorreu o maior ato de traição e covardia já perpetrados na História do Brasil.

    Um grupo de traidores, a soldo de Moscou, tentou implantar, no Brasil, uma sangrenta ditadura comunista. O levante armado irrompeu em Natal, Recife e Rio de Janeiro, financiado e determinado pelo Comintern.

    Nos primeiros dias de março de 1934 desembarcava no Rio de Janeiro, com passaporte americano, Harry Berger. Harry Berger era na realidade, o agente alemão do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert. Ex-deputado, em seu país, era fichado como espião e havia sido processado por alta traição. Foi enviado ao Brasil, com outros agitadores, como Rodolfo Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebelião comunista.

    Pouco depois, desembarcava Luíz Carlos Prestes com passaporte falso. O traidor vinha com a missão que lhe impusera o Comintern: chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil.

    Começaria então o planejamento para a insurreição armada.

    Enquanto, nas sombras das conspirações e das combinações clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a ação violenta, tarefa a cargo dos elementos militares, a ANL(Ação Nacional Libertadora) e seus propagandistas procuravam ampliar o seu número de adeptos. Prestes fez apelos a antigos companheiros. Seus apelos foram, entretanto, recusados em sua maior parte.

    Mas o Comintern exigia pressa e ação. Harry Berger orientava e dinamizava os planos. Em um de seus relatos ao Comintern ele escrevia:

    “A etapa atual da revolução, no Brasil .

    Está em franco desenvolvimento uma revolução nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa é a criação de uma vasta frente popular – operários, camponeses, pequenos burgueses e burgueses que são contra o imperialismo – depois, a ação propriamente dita, para a instituição de um governo popular nacional revolucionário, com Prestes à frente e representantes daquelas classes. Mas, como condição básica, esse governo se apoiará nas partes infiltradas no Exército e depois, sobre os operários e camponeses articulados em formações armadas.”

    “ Nesta primeira fase, não serão organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. Não obstante, o poder verdadeiro estará em maior escala nas aldeias, nas mãos das Ligas e Comitês de camponeses que se formarão e que também articularão formação do povo em armas para a proteção do Governo Popular e para a defesa de seus interesses. Nessa primeira etapa, a ação será, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifundiários e contra os capitalistas que, traindo a Nação, agem de comum acordo com o imperialismo.”

    “ Nós só passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, só erigiremos a ditadura democrática dos operários e camponeses sob a forma de sovietes, quando a revolução no Brasil tiver atingido uma grande concentração. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucionário serão os sovietes, mais as organizações de massa e o Exército Revolucionário do Povo. A transformação do Governo Popular Nacional Revolucionário, com Prestes à frente, tornar-se-á oportuna e real com o desenvolvimento favorável da Revolução do Governo Popular.”

    Pelos planos de Harry Berger, o movimento teria duas fases: na primeira seria organizado um governo popular de coalizão. Na Segunda, viriam os sovietes, o Exército do Povo e a total hegemonia dos comunistas.

    A idéia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB.

    O Comintern considerava, entretanto, a ação violenta como uma promissora experiência para a implantação do regime comunista em toda a América Latina. Por essa razão, enviou a um escritório comercial soviético em Montevidéu recursos financeiros destinados a apoiar a insurreição no Brasil.

    Nas Forças Armadas a infiltração era grande. Células comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Exército e na Marinha.

    Elementos do Partido Comunista preparavam greves e agitações nos meios operários e camponeses. Manifestos e instruções subversivos circulavam nos quartéis e em organizações sindicais.

    Enquanto Harry Berger depurava, cuidadosamente, os planos, Prestes atuava com invulgar monstruosidade. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas foram expulsas do Partido e, até mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes (Vide Recordando a História: O assassinato de Elza Fernandes).

    Tudo estava previsto para o irrompimento simultâneo do levante armado em todo o país. Mas, o movimento foi precipitado no Nordeste.

    A insurreição comunista teve início em Natal, Rio Grande do Norte.

    Ao anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21º Batalhão de Caçadores. Aproveitaram-se do licenciamento do sábado e invadiram a sala do oficial de dia, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. A seguir, entraram na Unidade, bandos de civis. Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuíram-se em grupos para diversos pontos da cidade. Esses bandos de agitadores, engrossavam-se no caminho com inúmeros adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.

    Investiram, em seguida, contra a Unidade da Polícia Militar onde o Coronel José Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores, com o apoio do Comandante do Batalhão de Polícia, Major Luiz Júlio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, até render-se por falta de munição.

    Cenas jamais vistas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e

    residências particulares foram saqueadas e depredadas. Navios no porto foram ocupados. Grande número de instalações foram danificadas com selvageria.

    Enquanto essa arruaça dominava o ambiente da cidade, instalava-se em palácio, o “Comitê Popular Revolucionário”constituido pelas seguintes personalidades: funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento músico Quintino Clemente de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças; estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação; cabo Estevão, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores e Sargento Eliziel Diniz Henriques, Comandante Geral da Guarnição Federal.

    Os primeiros atos do Comitê foram: arrombamento de bancos e repartições públicas..

    Um clima de terror foi estabelecido em toda a cidade. Violações, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se. Dois cidadãos foram covardemente assassinados sob a acusação de que estavam ridicularizando o movimento. A população começou a fugir de Natal.

    Colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará- Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaratema.

    A primeira reação partiu de Dinarte Mariz, um chefe político do interior, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista, com uma pequena força de sertanejos.

    Quando as tropas legalistas, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comitê Popular Revolucionário dissolveu-se rapidamente, sem a menor resistência. Todos os “Ministros”e “Comandantes Militares” fugiram levando o que podiam.

    Foi esta, em síntese, a história vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, até os dias atuais. Foi a mais lamentável demonstração do que pode representar a ascensão ao poder de um grupo de comunistas inescrupulosos e dispostos às ações mais bárbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.

    Os acontecimentos de Natal precipitaram a eclosão do movimento subversivo em Recife. Aí se travou o mais cruento conflito de todo o levante.

    Na manhã do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregorio Bezerra tentava apoderar-se do Quartel- General da 7ª Região Militar, assassinando covardemente o Tenente José Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

    Na Vila Militar de Socorro, o Capitão Otacílio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Alberto Bomilcar Besouchet, notórios comunistas, sublevaram o 29º Batalhão de Caçadores e marcharam sobre a capital pernambucana.

    O Tenente- Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contigente que procurou deter os revoltosos.

    O Capitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança Pública, armou a Guarda Civil e várias organizações policiais, deslocando-as em reforço das tropas legalistas. Essa reação permitiu que as Unidades de Maceió e João Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e estabelecer um cerco aos revoltosos.

    Na manhã do dia 25, as forças legalistas já dispunham do apoio de artilharia e atacam fortemente os comunistas. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes.

    No dia seguinte, Recife já estava completamente dominada pelas forças e os rebeldes derrotados.

    O 20º Batalhão de Caçadores já podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.

    Notícias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife.

    Esperava-se uma ação comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria.

    Prestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais , que não poderia aguardar mais tempo e que a rebelião precisava irromper dentro de dois ou três dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das ações marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de novembro.

    As autoridades não ignoravam que elementos comunistas infiltrados em vários quartéis estavam na iminência de uma insurreição. Mesmo assim houve muitas surpresas. Muitos dos comprometidos não figuravam nas relações de suspeitos.

    Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes , os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O Capitão Agliberto matou friamente o seu amigo Capitão Benedito Lopes Bragança que se achava desarmado e indefeso.

    Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1º Regimento de Aviação, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação.

    Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, após algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar os rebeldes.

    No 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega, no interior do quartel dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, sitiado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento.

    A reação dos legalistas do próprio 3º RI teve grande valia no decorrer da ação, porque impediu que a Unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as missões determinadas por Prestes no plano da insurreição e que incluíam o assalto ao palácio presidencial no Catete.

    Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1ª Região Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1 º Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.

    Durante toda a manhã do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edifício do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que também ocuparam as elevações vizinhas. As explosões das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o incêndio do madeiramento carbonizava. A infantaria legalista avançou muito lentamente, em razão da falta de proteção na praça fronteira ao quartel.

    Os amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.

    Finalmente, às 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído era a rendição.

    A intentona comunista de 1935 no Brasil é apenas um episódio no imenso repertório de crimes que o comunismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado “ditadura do proletariado”. Desde o massacre da família real russa, das execuções na época de Stalin, das invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e do Afeganistão.

    No seu desmedido plano de domínio universal, foi sempre apoiado na escravização, na tortura e no assassinato de milhões de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispensável das conquistas comunistas.

    Ostentando dísticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, são os mesmos arautos da sujeição e da opressão.

    Queremos deixar aqui registrados, os autores intelectuais, bem como os que participaram diretamente deste ato covarde e antipatriótico a soldo de uma Nação estrangeira.

    Como réus, incursos nas penas do art.1º, combinado com o art.49 da Lei nº 38,de 04 de abril de 1935.

    “ Ex-capitão Luiz Carlos Prestes— Arthur Ernest Ewert ou Harry Berger( agente estrangeiro ) Rodolfo Ghioldi ( agente estrangeiro )— Leon Jules Vallée (agente estrangeiro )— Antonio Maciel Bonfim ou Adalberto de Andrade Fernandes— Honorio de Freitas Guimarães— Lauro Reginaldo da Rocha ou Lauro Reginaldo Teixeira— Adelino Deycola dos Santos— ex-major Carlos da Costa Leite—Dr Ilvo Furtado Soares de Meireles— Dr Pedro Ernesto Baptista— ex-capitão Agildo da Gama Barata Ribeiro— ex-capitão Alvaro Francisco de Souza— ex-capitão José Leite Brasil— ex-capitão Sócrates Gonçalves da Silva— ex- capitão AglibertoVieira de Azevedo— ex-primeiro tenente David de Medeiros Filho— ex-primeiro tenente Durval Miguel de Barros— ex-primeiro tenente Celso Tovar Bicudo de Castro— ex-primeiro tenente Benedicto de Carvalho—ex-segundo tenente Francisco Antonio Leivas Otero— ex-segundo tenente Mario de Souza— ex-segundo tenente Antonio Bento Monteiro Tourinho— ex-segundo tenente José Gutman—ex-segundo tenente Raul Pedroso— ex- segundo tenente Ivan Ramos Ribeiro— ex segundo tenente Humberto Baena de Moraes Rego— ex-terceiro sargentoVictor Ayres da Cruz.”

    “…Resolve ainda, o Tribunal, por unanimidade de votos absolver, como absolve os accusados Hercolino Cascardo, Roberto Faller Sisson, Carlos
    Amorety Osório, Francisco Mangabeira , Benjamin Soares Cabello e Manoel
    Venâncio Campos da Paz, da accusação de haverem commetido o crime do art.1º
    da lei nº 38, de 4 de abril de 1935, por não estar provado que os mesmos
    tivessem tentado mudar, por meios violentos, a forma de governo, ou a
    Constituição da Republica.
    Sala das Sessões, em 7 de maio de 1937- Barros Barreto, presidente -
    Raul Machado, relator – Costa Netto – Lemos Bastos – Pereira Braga -
    Himalaya Vergolino, presente.
    Para vergonha e repúdio da Nação, o nome de Luiz Carlos Prestes, covarde assassino e vendilhão de sua pátria, é dado a logradouros públicos, por indicação de autoridades executivas ou de políticos levianos e oportunistas, sem o menor sentimento de patriotismo.

    Certamente, desconhecem a verdadeira história ou esposam ainda filosofias sanguinárias e ditatoriais.

    MEMORIAL 1935

    1-Nossa homenagem permanente…

    MORTOS NA INTENTONA COMUNISTA DE 1935

    Monumento em homenagem aos heróis que tombaram na covarde tentativa de implantar o o comunismo no Brasil.

    Praça General Tibúrcio, Praia Vermelha / RJ. Este monumento ocupa hoje o antigo local onde estava sediado o 3º RI, que, sublevado, foi completamente destruído.

    Poucos conhecem seus nomes. Eles morreram na madrugada de 27 de novembro de 1935. Não em combate, mas covardemente assassinados. Alguns dormindo…
    Durante todos estes anos, suas famílias, em silêncio resignado, reivindicaram dos governantes, a não ser um mínimo de coerência, a fim de que pudessem acreditar que eles não morrerem em vão.

    01. Abdiel Ribeiro dos Santos – 3º Sargento
    02. Alberto Bernardino de Aragão – 2º Cabo
    03. Armando de Souza Mello – Major
    04. Benedicto Lopes Bragança – Capitão
    05. Clodoaldo Ursulano – 2º Cabo
    06. Coriolano Ferreira Santiago – 3º Sargento
    07. Danilo Paladini – Capitão
    08. Fidelis Batista de Aguiar – 2º Cabo
    09. Francisco Alves da Rocha – 2º Cabo
    10. Geraldo de Oliveira – Capitão
    11. Jaime Pantaleão de Moraes – 2º Sgt
    12. João de Deus Araújo – Soldado
    13. João Ribeiro Pinheiro – Major

    14. José Bernardo Rosa – 2º Sargento
    15. José Hermito de Sá – 2º Cabo
    16. José Mário Cavalcanti – Soldado
    17. José Menezes Filho – Soldado
    18. José Sampaio Xavier – 1º Tenente
    19. Lino Vitor dos Santos – Soldado
    20. Luiz Augusto Pereira – 1º Cabo
    21. Luiz Gonzaga – Soldado
    22. Manoel Biré de Agrella – 2º Cabo
    23. Misael Mendonça -T.Coronel
    24. Orlando Henrique – Soldado
    25. Pedro Maria Netto – 2º Cabo
    26. Péricles Leal Bezerra – Soldado
    27. Walter de Souza e Silva – Soldado
    28. Wilson França – Soldado

    GRUPO TERRORISMO NUNCA MAIS

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    Arquivo

  9. Recordando a História

    Portal

    O ASSASSINATO DE ELZA FERNANDES

    Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.

    Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de “Miranda” e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, como a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

    Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.

    Nos primeiros dias de janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, “Elza” foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

    Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que “Miranda” havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”.

    As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram. Honório descobriu que “Elza” estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem “Elza” estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.

    Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”.

    A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

    “Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.”
    Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes:

    “Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

    Decidida a execução, “Elza” foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (“Abóbora”), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (“Milionário”), Adelino Deycola dos Santos (“Tampinha”), Francisco Natividade Lira (“Cabeção”) e Manoel Severino Cavalcanti (“Gaguinho”).

    Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota”, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de “Elza”, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

    Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.

    Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.

    Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de “Elza”, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara “Miranda” na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

    “Rio, 17-4-40″

    Meu caro Bonfim
    Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
    Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio”.

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