É um lixo só

Fonte: Correio Braziliense: 22/06/2009

desperdício

 

É um lixo só

Governo dá mau exemplo e não se preocupa com a reciclagem, apesar de gastar R$ 220 milhões este ano para divulgar a causa ecológica

  • Lilian Tahan e Edson Luiz
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    Zuleika de Souza/CB/D.A Press – 11/6/09
    Mulher separa papéis, garrafas de plástico e latas no lixão do Centro Cultural do Banco do Brasil, perto de onde despacha o presidente Lula

    Verde para vidro. Vermelho vai o plástico. No amarelo, o metal. O arco-íris do lixo ecologicamente correto é ignorado nas barbas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As faixas coloridas dos contêineres estacionados em frente à sede provisória do poder no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) são decorativas. As moscas, abelhas e pombos que circundam os restos da burocracia denunciam a mistura de comida com vidro, plástico, metal, apesar de uma resolução federal obrigar o poder público a separar os resíduos e de o governo gastar milhões de reais para divulgar os benefícios da coleta seletiva.As caçambas que guardam os restos do que se produz pelo mais alto escalão provam que o governo não se preocupa em cumprir a lei ou mesmo em dar o exemplo. Torra muito dinheiro com o argumento de divulgar as vantagens da reciclagem do lixo — estão previstos R$ 220 milhões para a causa em 2009 , mas é incapaz do básico: separar os resíduos secos dos molhados. A resolução 275 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de abril de 2001, obriga os órgãos públicos a fazer a classificação dos detritos por um cardápio de cores.

    Uma amostra do que o governo joga fora é depositada a céu aberto e sem controle do poder público a apenas dois quilômetros da Esplanada dos Ministérios, num terreno vizinho ao CCBB. No lugar, pelo menos oito famílias sobrevivem das sobras do poder. Catam, separam, vendem e consomem o que dá para ser aproveitado dos restos oficiais. No lixão, os catadores recolhem por mês quatro toneladas de papel, quase tudo de contêineres dos ministérios e do Congresso. Comem e dormem a alguns passos das pilhas de sujeira.

    Nas últimas duas semanas, a reportagem do Correio vasculhou as caçambas de lixo de Esplanada e constatou que produtos recicláveis são armazenados junto a restos de comida, bebida, papel higiênico, mistura que contamina e compromete o reaproveitamento do material. Nem mesmo no CCBB há o hábito de separar o lixo seco do molhado. Na caçamba do vidro tinha quase tudo, menos vidro. Casca de banana, gomos de laranja, mamão, copos plásticos, papel higiênico, caixas de sucos, embalagens marmitex, grãos de arroz, assim como relatórios, pareceres, entre eles um borrado de café sobre saneamento em áreas indígenas do Brasil preparado pela Fundação Nacional Saúde (Funasa).

    Dentro das latas de lixo dos ministérios também estão depositados um pouco da história do Brasil e até de cultura. Entre os restos da Esplanada, estão obras raras da literatura ou documentos oficiais com décadas de existência. Um relatório histórico enterrado em uma montanha de sobras expõe um compromisso de governo que nunca foi cumprido na íntegra. Trata-se de um plano datilografado de 16 páginas onde a então ministra da Ação Social Margarida Procópio propõe ao colega do Trabalho Antônio Rogério Magri a construção de habitações populares para resolver o problema da falta de moradia. Dezenove anos depois de redigido, o documento estava entre a papelada revirada por catadores que dormem debaixo de lona.

    O documento chegou ao lixo em uma caixa com centenas de papéis com data de 1990, mas que se juntaram a documentos atuais, como um laudo médico pericial que só à Justiça e ao paciente interessam saber. O destinatário era a 26ª Vara Federal, mas acabou no lixão próximo ao CCBB. Mas nem só de produção oficial vive a burocracia. Entre a papelada rejeitada, uma parte é de apontamentos pessoais, pesquisas da internet e até de documentos falsificados. Exemplo catado em meio às pilhas de relatório: uma ficha de filiação do Partido dos Trabalhadores (PT). Entre as opções para o campo profissão: desempregado, traficante, sem-teto, trombadinha, trombadão, invasor, agitador ou indigente.

    No lixo do Ministério da Fazenda uma lauda exibe pedido de orçamento para a compra de seis equipamentos, entre eles uma “fragmentadora de papel”. O curioso é que o papel foi achado em meio a folhas de um processo administrativo sobre crime cambial em perfeito estado de conservação. Segundo o Código Penal, esse tipo de documento deve ser mantido em sigilo por tratar de questões financeiras. O descuido não é só na Fazenda. A montanha de lixo do CCBB tem documentos intactos de praticamente todos os endereços da Esplanada. Inclusive contratos originais. Entre os quais o que permiteempréstimos consignados de servidores públicos do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF).

      

    Resolução do Conama 

    Decisão do Conselho Nacional do meio Ambiente de 25 de abril de 2001 criou um código de cores para diferenciar o lixo. Os símbolos foram pensados para orientar o trabalho dos serviços públicos de limpeza urbana, além da atividade de catadores. O objetivo principal da iniciativa é facilitar a reciclagem de materiais. A resolução 275 do Conama obrigou os órgãos públicos a fazer a classificação dos detritos por cores e recomendou que cooperativas, escolas, igrejas, organizações não-governamentais, além da iniciativa privada adotassem o mesmo procedimento. Confira como o lixo deve ser armazenado segundo o padrão de cores:Azul: papel, papelão
    Vermelho: plástico
    Verde: vidro
    Amarelo: metal
    Preto: madeira
    Laranja: resíduos perigosos
    Branco: material de laboratório e dos serviços de saúde
    Roxo: lixo radioativo
    Marrom: detrito orgânico, como restos de comida e bebida
    Cinza: resíduo não reciclável, misturado, contaminado e que não pode ser separado 

     

    <!–

     

     
     

     

     
    Nos restos da burocracia tanto podem ser achados relatórios oficiais com décadas de existência ou documentos falsos

     

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    Publicado em 22 de junho de 2009, em Arquivo e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

    1. Recordando a História

      Portal

      Reparando a Injustiça

      Justitia quae será tamen

      Tendo em vista a Sentença exarada pelo Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Teresópolis , Doutor Mauro Penna Macedo Guita , em processo judicial de autoria do CMG ( Refo ) Francisco Carlos Pereira Cascardo , motivado pela inclusão indevida do nome do Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo , já falecido , no artigo – RECORDANDO A HISTÓRIA – A INTENTONA DE 1935 , foi acordada entre as partes a divulgação da comunicação da comunicação abaixo.

      Visando o cumprimento da parte da sentença que manda “ … incluir, no referido site, a informação, de forma destacada e de fácil visualização … “de que Hercolino Cascardo foi julgado e absolvido criminalmente … com a transcrição do dispositivo da sentença na parte que o absolve … “ contrariamente à acusação constante do artigo acima citado publica-se o seguinte trecho do Accordão do Tribunal de Segurança Nacional datado de 7 de maio de 1937 :

      “ … resolve ainda o Tribunal, por unanimidade de votos absolver como absolve os accusados Hercolino Cascardo , Roberto Faller Sisson ,Carlos Amorety Osório ,Francisco Mangabeira ,Benjamin Soares Cabello e Manoel Campos da Paz da accusação de haverem commetido o crime do art. 1º da Lei nº 38 de 4 de abril de 1935, por não estar provado que os mesmos tivessem tentado mudar por meios violentos ,a forma de Governo, ou a Constituição da República …”

      O Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo , teve seu nome injustamente incluído pelo TERNUMA em “ … texto ofensivo … à sua memória …” ( expressões estas transcritas da sentença ) intitulado “ Recordando a História” , ” A Intentona Comunista “ . Equivocado , fundamentava-se o referido texto na acusação apresentada pelo Promotor do Tribunal de Segurança Nacional Honorato Himalaya Vergolino como incurso no art. 1º acima citado . Por motivo desconhecido foi omitido do referido artigo que o mesmo Tribunal de Segurança Nacional já absolvera por unanimidade de votos , como demonstrado no accordão acima citado .

      E em “ Recordando a História , A Intentona Comunista” , os nomes dos absolvidos e dos condenados permaneceram como um todo único , indicando para o leitor , que não houvera absolvição , tal estilo ambíguo do seu texto .

      A confiança absoluta na fonte recorrida levou o TERNUMA a manter em seu site, o nome do Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo e de outros inocentados pelo Tribunal de Segurança Nacional e a seguir pelo Superior Tribunal Militar, desde maio de 2005 até 19.01.2007, data esta em que foram retirados os nomes dos absolvidos e publicada parte da sentença absolvitória

      Neste período vários contatos foram mantidos com a direção de Ternuma inclusive com a entrega da Sentença do TSN , mas sem resultado satisfatório . Desta maneira baldadas as tentativas de entendimento restou , ùnicamente constituir-se advogado e entrar na Justiça na busca do restabelecimento da honra ofendida .

      Da sentença exarada pelo Exmo. Juiz Doutor Mauro Penna Macedo Guita transcrevem-se as seguintes considerações ao artigo em que indevidamente foi incluído o falecido Almirante de Esquadra Hercolino Cascardo:

      a) – “ … texto ofensivo à memória …”
      b) – “ … indenização por dano moral, fá-lo por legitimidade ordinária , por ser ele filho de quem se sente injuriado ante a ofensa à honra de seu pai …”
      c) – “ vale lembrar que a calúnia , a injúria e difamação constituem ilícitos penais … “
      d) – “ a Lei reconhece o direito do esquecimento mesmo aos criminosos . .. “
      e) – “ … e que dizer de alguém que foi absolvido !
      f) – “ considero que o meio de comunicação internet torna o fato mais grave …
      g) “ … e que sirva de desestímulo á prática de ofensas de tal natureza … “
      h) – “ … e atende à finalidade punitiva pedagógica … “

      Com a divulgação desta comunicação há de se esperar que os dois maiores valores de um militar , a sua Honra e a sua Bravura estejam restabelecidas e que a sua Memória tenha como companheiras , a Verdade e a Justiça

      A Intentona Comunista de 1935

      No dia 27 de Novembro de 1935, ocorreu o maior ato de traição e covardia já perpetrados na História do Brasil.

      Um grupo de traidores, a soldo de Moscou, tentou implantar, no Brasil, uma sangrenta ditadura comunista. O levante armado irrompeu em Natal, Recife e Rio de Janeiro, financiado e determinado pelo Comintern.

      Nos primeiros dias de março de 1934 desembarcava no Rio de Janeiro, com passaporte americano, Harry Berger. Harry Berger era na realidade, o agente alemão do Comintern chamado Arthur Ernst Ewert. Ex-deputado, em seu país, era fichado como espião e havia sido processado por alta traição. Foi enviado ao Brasil, com outros agitadores, como Rodolfo Ghioldi e Jules Vales, para assessorar o planejamento da rebelião comunista.

      Pouco depois, desembarcava Luíz Carlos Prestes com passaporte falso. O traidor vinha com a missão que lhe impusera o Comintern: chefiar o movimento armado que se preparava no Brasil.

      Começaria então o planejamento para a insurreição armada.

      Enquanto, nas sombras das conspirações e das combinações clandestinas, os subversivos concertavam os planos para a ação violenta, tarefa a cargo dos elementos militares, a ANL(Ação Nacional Libertadora) e seus propagandistas procuravam ampliar o seu número de adeptos. Prestes fez apelos a antigos companheiros. Seus apelos foram, entretanto, recusados em sua maior parte.

      Mas o Comintern exigia pressa e ação. Harry Berger orientava e dinamizava os planos. Em um de seus relatos ao Comintern ele escrevia:

      “A etapa atual da revolução, no Brasil .

      Está em franco desenvolvimento uma revolução nacional antiimperialista. A finalidade da primeira etapa é a criação de uma vasta frente popular – operários, camponeses, pequenos burgueses e burgueses que são contra o imperialismo – depois, a ação propriamente dita, para a instituição de um governo popular nacional revolucionário, com Prestes à frente e representantes daquelas classes. Mas, como condição básica, esse governo se apoiará nas partes infiltradas no Exército e depois, sobre os operários e camponeses articulados em formações armadas.”

      “ Nesta primeira fase, não serão organizados sovietes, porque isso reduziria, prematuramente, as hostes populares. Não obstante, o poder verdadeiro estará em maior escala nas aldeias, nas mãos das Ligas e Comitês de camponeses que se formarão e que também articularão formação do povo em armas para a proteção do Governo Popular e para a defesa de seus interesses. Nessa primeira etapa, a ação será, antes de tudo, desencadeada contra o imperialismo, os grandes latifundiários e contra os capitalistas que, traindo a Nação, agem de comum acordo com o imperialismo.”

      “ Nós só passaremos a modificar os objetivos da primeira etapa, só erigiremos a ditadura democrática dos operários e camponeses sob a forma de sovietes, quando a revolução no Brasil tiver atingido uma grande concentração. Os pontos de apoio do Governo Popular Nacional Revolucionário serão os sovietes, mais as organizações de massa e o Exército Revolucionário do Povo. A transformação do Governo Popular Nacional Revolucionário, com Prestes à frente, tornar-se-á oportuna e real com o desenvolvimento favorável da Revolução do Governo Popular.”

      Pelos planos de Harry Berger, o movimento teria duas fases: na primeira seria organizado um governo popular de coalizão. Na Segunda, viriam os sovietes, o Exército do Povo e a total hegemonia dos comunistas.

      A idéia de um levante armado preocupava os elementos mais ponderados do PCB.

      O Comintern considerava, entretanto, a ação violenta como uma promissora experiência para a implantação do regime comunista em toda a América Latina. Por essa razão, enviou a um escritório comercial soviético em Montevidéu recursos financeiros destinados a apoiar a insurreição no Brasil.

      Nas Forças Armadas a infiltração era grande. Células comunistas, envolvendo oficiais e sargentos, funcionavam no Exército e na Marinha.

      Elementos do Partido Comunista preparavam greves e agitações nos meios operários e camponeses. Manifestos e instruções subversivos circulavam nos quartéis e em organizações sindicais.

      Enquanto Harry Berger depurava, cuidadosamente, os planos, Prestes atuava com invulgar monstruosidade. Em nome da causa vermelha, pessoas consideradas suspeitas foram expulsas do Partido e, até mesmo eliminadas, como ocorreu com a menina Elza Fernandes, assassinada por ordem de Prestes (Vide Recordando a História: O assassinato de Elza Fernandes).

      Tudo estava previsto para o irrompimento simultâneo do levante armado em todo o país. Mas, o movimento foi precipitado no Nordeste.

      A insurreição comunista teve início em Natal, Rio Grande do Norte.

      Ao anoitecer do dia 23 de novembro, dois sargentos, dois cabos e dois soldados sublevaram o 21º Batalhão de Caçadores. Aproveitaram-se do licenciamento do sábado e invadiram a sala do oficial de dia, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. A seguir, entraram na Unidade, bandos de civis. Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuíram-se em grupos para diversos pontos da cidade. Esses bandos de agitadores, engrossavam-se no caminho com inúmeros adesistas aventureiros, a maioria dos quais nem sabia exatamente do que se tratava.

      Investiram, em seguida, contra a Unidade da Polícia Militar onde o Coronel José Otaviano Pinto Soares, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores, com o apoio do Comandante do Batalhão de Polícia, Major Luiz Júlio, conseguiu montar uma defesa que resistiu durante 19 horas, até render-se por falta de munição.

      Cenas jamais vistas de vandalismo e crueldade tiveram lugar. Casas comerciais e

      residências particulares foram saqueadas e depredadas. Navios no porto foram ocupados. Grande número de instalações foram danificadas com selvageria.

      Enquanto essa arruaça dominava o ambiente da cidade, instalava-se em palácio, o “Comitê Popular Revolucionário”constituido pelas seguintes personalidades: funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; Sargento músico Quintino Clemente de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças; estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação; cabo Estevão, Comandante do 21º Batalhão de Caçadores e Sargento Eliziel Diniz Henriques, Comandante Geral da Guarnição Federal.

      Os primeiros atos do Comitê foram: arrombamento de bancos e repartições públicas..

      Um clima de terror foi estabelecido em toda a cidade. Violações, estupros, pilhagens e roubos generalizaram-se. Dois cidadãos foram covardemente assassinados sob a acusação de que estavam ridicularizando o movimento. A população começou a fugir de Natal.

      Colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará- Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaratema.

      A primeira reação partiu de Dinarte Mariz, um chefe político do interior, que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista, com uma pequena força de sertanejos.

      Quando as tropas legalistas, vindas de Recife, marcharam sobre Natal, o Comitê Popular Revolucionário dissolveu-se rapidamente, sem a menor resistência. Todos os “Ministros”e “Comandantes Militares” fugiram levando o que podiam.

      Foi esta, em síntese, a história vergonhosa do mais duradouro governo comunista no Brasil, até os dias atuais. Foi a mais lamentável demonstração do que pode representar a ascensão ao poder de um grupo de comunistas inescrupulosos e dispostos às ações mais bárbaras, seguidos por uma coorte de oportunistas e ignorantes.

      Os acontecimentos de Natal precipitaram a eclosão do movimento subversivo em Recife. Aí se travou o mais cruento conflito de todo o levante.

      Na manhã do dia 25 de novembro, um sargento, chefiando um grupo de civis, atacou a cadeia pública de Olinda. Logo depois, o Sargento Gregorio Bezerra tentava apoderar-se do Quartel- General da 7ª Região Militar, assassinando covardemente o Tenente José Sampaio, e ferindo o Tenente Agnaldo Oliveira de Almeida, antes de ser subjugado e preso.

      Na Vila Militar de Socorro, o Capitão Otacílio Alves de Lima, o Tenente Lamartine Coutinho Correia de Oliveira e o Tenente Roberto Alberto Bomilcar Besouchet, notórios comunistas, sublevaram o 29º Batalhão de Caçadores e marcharam sobre a capital pernambucana.

      O Tenente- Coronel Afonso de Albuquerque Lima, subcomandante da Brigada Policial, conseguiu, entretanto, reunir um contigente que procurou deter os revoltosos.

      O Capitão Malvino Reis Neto, Secretário de Segurança Pública, armou a Guarda Civil e várias organizações policiais, deslocando-as em reforço das tropas legalistas. Essa reação permitiu que as Unidades de Maceió e João Pessoa pudessem ser deslocadas para o teatro da luta e estabelecer um cerco aos revoltosos.

      Na manhã do dia 25, as forças legalistas já dispunham do apoio de artilharia e atacam fortemente os comunistas. Havia mais de uma centena de mortos nas fileiras rebeldes.

      No dia seguinte, Recife já estava completamente dominada pelas forças e os rebeldes derrotados.

      O 20º Batalhão de Caçadores já podia se deslocar para Natal, ainda em poder dos comunistas.

      Notícias confusas e alarmantes chegavam ao Rio de Janeiro dos acontecimentos de Natal e Recife.

      Esperava-se uma ação comunista a qualquer momento, sem que se pudesse precisar onde surgiria.

      Prestes declarou, em nota enviada a Trifino Correia em Minas Gerais , que não poderia aguardar mais tempo e que a rebelião precisava irromper dentro de dois ou três dias. Efetivamente, sua ordem para o desencadeamento das ações marcava a hora H para as duas da madrugada de 27 de novembro.

      As autoridades não ignoravam que elementos comunistas infiltrados em vários quartéis estavam na iminência de uma insurreição. Mesmo assim houve muitas surpresas. Muitos dos comprometidos não figuravam nas relações de suspeitos.

      Na Escola de Aviação, em Marechal Hermes , os Capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves da Silva, juntamente com os Tenentes Ivan Ramos Ribeiro e Benedito de Carvalho assaltaram o quartel de madrugada, e dominaram a Unidade. Vários oficiais foram assassinados ainda dormindo. O Capitão Agliberto matou friamente o seu amigo Capitão Benedito Lopes Bragança que se achava desarmado e indefeso.

      Em seguida, os rebeldes passaram a atacar o 1º Regimento de Aviação, sob o comando do Coronel Eduardo Gomes, que, apesar de ferido ligeiramente, iniciou a reação.

      Forças da Vila Militar acorreram em apoio ao Regimento e, após algumas horas de violenta fuzilaria e bombardeio de artilharia, conseguiram derrotar os rebeldes.

      No 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, acontecimentos mais graves ocorreram. Os rebeldes, chefiados pelos Capitães Agildo Barata, Álvaro Francisco de Souza e José Leite Brasil conseguiram, na mesma madrugada, após violenta e mortífera refrega, no interior do quartel dominar quase totalmente a Unidade. Ao amanhecer, restava apenas um núcleo de resistência legalista, sitiado no Pavilhão do Comando, onde se encontrava o Coronel Afonso Ferreira, comandante do Regimento.

      A reação dos legalistas do próprio 3º RI teve grande valia no decorrer da ação, porque impediu que a Unidade rebelada deixasse o quartel para cumprir as missões determinadas por Prestes no plano da insurreição e que incluíam o assalto ao palácio presidencial no Catete.

      Nas últimas horas da madrugada, acionados diretamente pelo Comandante da 1ª Região Militar, General Eurico Gaspar Dutra, o Batalhão de Guardas e o 1 º Grupo de Obuses tomaram posição nas proximidades do aquartelamento rebelado e iniciaram o bombardeio.

      Durante toda a manhã do dia 27 desenvolveu-se um duro combate. O edifício do quartel foi transformado em uma verdadeira fortaleza, defendida pelas metralhadoras dos amotinados que também ocuparam as elevações vizinhas. As explosões das granadas da artilharia reduziram a escombros as velhas paredes que o incêndio do madeiramento carbonizava. A infantaria legalista avançou muito lentamente, em razão da falta de proteção na praça fronteira ao quartel.

      Os amotinados tentaram parlamentar com o comando legal, mas foram repelidos em suas propostas.

      Finalmente, às 13 horas e 30 minutos, bandeiras brancas improvisadas foram agitadas nas janelas do edifício, parcialmente destruído era a rendição.

      A intentona comunista de 1935 no Brasil é apenas um episódio no imenso repertório de crimes que o comunismo vem cometendo no mundo inteiro para submeter os povos ao regime opressor denominado “ditadura do proletariado”. Desde o massacre da família real russa, das execuções na época de Stalin, das invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e do Afeganistão.

      No seu desmedido plano de domínio universal, foi sempre apoiado na escravização, na tortura e no assassinato de milhões de entes humanos, cuja dor e cujo sangue parecem ser a marca indispensável das conquistas comunistas.

      Ostentando dísticos enganadores, agitando falsas promessas, os comunistas de 1935, como de hoje, são os mesmos arautos da sujeição e da opressão.

      Queremos deixar aqui registrados, os autores intelectuais, bem como os que participaram diretamente deste ato covarde e antipatriótico a soldo de uma Nação estrangeira.

      Como réus, incursos nas penas do art.1º, combinado com o art.49 da Lei nº 38,de 04 de abril de 1935.

      “ Ex-capitão Luiz Carlos Prestes— Arthur Ernest Ewert ou Harry Berger( agente estrangeiro ) Rodolfo Ghioldi ( agente estrangeiro )— Leon Jules Vallée (agente estrangeiro )— Antonio Maciel Bonfim ou Adalberto de Andrade Fernandes— Honorio de Freitas Guimarães— Lauro Reginaldo da Rocha ou Lauro Reginaldo Teixeira— Adelino Deycola dos Santos— ex-major Carlos da Costa Leite—Dr Ilvo Furtado Soares de Meireles— Dr Pedro Ernesto Baptista— ex-capitão Agildo da Gama Barata Ribeiro— ex-capitão Alvaro Francisco de Souza— ex-capitão José Leite Brasil— ex-capitão Sócrates Gonçalves da Silva— ex- capitão AglibertoVieira de Azevedo— ex-primeiro tenente David de Medeiros Filho— ex-primeiro tenente Durval Miguel de Barros— ex-primeiro tenente Celso Tovar Bicudo de Castro— ex-primeiro tenente Benedicto de Carvalho—ex-segundo tenente Francisco Antonio Leivas Otero— ex-segundo tenente Mario de Souza— ex-segundo tenente Antonio Bento Monteiro Tourinho— ex-segundo tenente José Gutman—ex-segundo tenente Raul Pedroso— ex- segundo tenente Ivan Ramos Ribeiro— ex segundo tenente Humberto Baena de Moraes Rego— ex-terceiro sargentoVictor Ayres da Cruz.”

      “…Resolve ainda, o Tribunal, por unanimidade de votos absolver, como absolve os accusados Hercolino Cascardo, Roberto Faller Sisson, Carlos
      Amorety Osório, Francisco Mangabeira , Benjamin Soares Cabello e Manoel
      Venâncio Campos da Paz, da accusação de haverem commetido o crime do art.1º
      da lei nº 38, de 4 de abril de 1935, por não estar provado que os mesmos
      tivessem tentado mudar, por meios violentos, a forma de governo, ou a
      Constituição da Republica.
      Sala das Sessões, em 7 de maio de 1937- Barros Barreto, presidente –
      Raul Machado, relator – Costa Netto – Lemos Bastos – Pereira Braga –
      Himalaya Vergolino, presente.
      Para vergonha e repúdio da Nação, o nome de Luiz Carlos Prestes, covarde assassino e vendilhão de sua pátria, é dado a logradouros públicos, por indicação de autoridades executivas ou de políticos levianos e oportunistas, sem o menor sentimento de patriotismo.

      Certamente, desconhecem a verdadeira história ou esposam ainda filosofias sanguinárias e ditatoriais.

      MEMORIAL 1935

      1-Nossa homenagem permanente…

      MORTOS NA INTENTONA COMUNISTA DE 1935

      Monumento em homenagem aos heróis que tombaram na covarde tentativa de implantar o o comunismo no Brasil.

      Praça General Tibúrcio, Praia Vermelha / RJ. Este monumento ocupa hoje o antigo local onde estava sediado o 3º RI, que, sublevado, foi completamente destruído.

      Poucos conhecem seus nomes. Eles morreram na madrugada de 27 de novembro de 1935. Não em combate, mas covardemente assassinados. Alguns dormindo…
      Durante todos estes anos, suas famílias, em silêncio resignado, reivindicaram dos governantes, a não ser um mínimo de coerência, a fim de que pudessem acreditar que eles não morrerem em vão.

      01. Abdiel Ribeiro dos Santos – 3º Sargento
      02. Alberto Bernardino de Aragão – 2º Cabo
      03. Armando de Souza Mello – Major
      04. Benedicto Lopes Bragança – Capitão
      05. Clodoaldo Ursulano – 2º Cabo
      06. Coriolano Ferreira Santiago – 3º Sargento
      07. Danilo Paladini – Capitão
      08. Fidelis Batista de Aguiar – 2º Cabo
      09. Francisco Alves da Rocha – 2º Cabo
      10. Geraldo de Oliveira – Capitão
      11. Jaime Pantaleão de Moraes – 2º Sgt
      12. João de Deus Araújo – Soldado
      13. João Ribeiro Pinheiro – Major

      14. José Bernardo Rosa – 2º Sargento
      15. José Hermito de Sá – 2º Cabo
      16. José Mário Cavalcanti – Soldado
      17. José Menezes Filho – Soldado
      18. José Sampaio Xavier – 1º Tenente
      19. Lino Vitor dos Santos – Soldado
      20. Luiz Augusto Pereira – 1º Cabo
      21. Luiz Gonzaga – Soldado
      22. Manoel Biré de Agrella – 2º Cabo
      23. Misael Mendonça -T.Coronel
      24. Orlando Henrique – Soldado
      25. Pedro Maria Netto – 2º Cabo
      26. Péricles Leal Bezerra – Soldado
      27. Walter de Souza e Silva – Soldado
      28. Wilson França – Soldado

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